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Saber falar e saber ouvir!

22/09/2020 Por Equipe de Conteúdos CEISC

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Psicóloga Caroline Maria Nunes

Dando continuidade à campanha de prevenção ao suicídio, denominada como o Setembro Amarelo, trago a importância de FALAR e OUVIR as emoções, que por vezes, permanecem em silêncio. Essa repressão do que se sente, faz com que o conflito interno cresça ao não receber a devida importância, se transformando em um adoecimento psicológico.

Apesar dos benefícios de falar sobre os sentimentos e emoções, a prática de buscar por ajuda ainda envolve tabu e estigmas sociais, principalmente voltadas em torno de quem sofre algum tipo de transtorno mental. Em decorrência disso, muitas vezes as pessoas demoram até reconhecer a importância de um acompanhamento psíquico, principalmente diante de algumas situações adversas da vida, podendo evoluir para um quadro psíquico mais grave.

Por isso, existe uma necessidade de vencermos as barreiras desse preconceito e falar sobre as nossas dores emocionais. E ainda mais: precisamos nos fazer mais próximos das pessoas que amamos e saber ouvi-las. Com o surgimento da pandemia, as relações que antes se davam por meio dos laços sociais que circulávamos, precisou ser modificada de maneira mais limitada e distante. O individualismo reforçado pelo isolamento e o enfraquecimento dos laços de solidariedade, fazem com que os espaços de fala e de escuta permaneçam esquecidos.

E como é bom poder falar e ser realmente escutado em sua completude, sem julgamentos ou apontamentos do que é certo ou errado! Será que nos questionamentos por que o sofrimento é encarado como motivo de vergonha ou fraqueza? Certamente, porque quando ele é exposto, existe uma tendência a ridicularização, comparação ou diminuição desse sofrimento como se ele não fosse tão importante assim.

Comumente nos deparamos com alguém vindo nos contar sobre alguma situação e termos uma reposta “pronta”. Mas você já se questionou se é isso que você ou o outro espera ouvir? Muitas vezes é poder dizer: “eu estou aqui com você”; “você pode contar comigo para o que você precisar”; “posso procurar por apoio especializado junto com você”. Lembrando que se alguém lhe procurou para falar sobre si, ela está confiando em você e espera que a compreenda.

Por isso, te convido a pensar naquele amigo/familiar que você não conversa desde o início da pandemia ou naquela colega de trabalho ou de estudos que você não vê há meses. Que tal fazer uma lista no WhatsApp perguntando como essas pessoas estão?

Dividir, falar e externar o que está sentido nem sempre é fácil, mas essa troca é necessária e todo mundo saí ganhando com ela. O compartilhamento das vivências de prazer e de sofrimento, é o que torna nossos vínculos mais sólidos e fortalecidos. Quando alguém vir te procurar para lhe contar sobre a sua dor, saiba acolher, validar e amparar.

Pela falta de um espaço que abranja o que se sente, muito se vê a necessidade de falar, mas pouco se vê a escuta despida de preconceitos, de verdades absolutas e vestidas de arrogância e de não interrupções. Saber a hora de falar, mas também a de ouvir, é um exercício de empatia e de amor a si e ao próximo.

Com amor, da psicóloga Caroline 💙

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