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Osorio versus Caxias: uma breve história do Dia do Soldado

25/08/2020 Por Equipe de Conteúdos CEISC

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Desde 1925, o dia 25 de agosto é oficialmente o Dia do Soldado e constitui uma das principais celebrações do Exército brasileiro. A data corresponde ao nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. No entanto, até os anos 20, Caxias não era o militar mais admirado e esta data não era celerada entre os militares brasileiros. Quem era, então? E por que o dia 25 de agosto se tornou o Dia do Soldado?

Desde o final da Guerra contra o Paraguai (1864-1870), era o General Manuel Luís Osório o militar mais prestigiado no Brasil. O gaúcho Osório era admirado pela bravura, destemor e coragem demonstrados nas batalhas da guerra contra o Paraguai. Por outro lado, a festividade mais celebrada pelos militares brasileiros era o 24 de maio, o dia da Batalha de Tuiuti (1866), maior batalha terrestre da América do Sul. A memória de Osório, portanto, estava diretamente ligada àquela batalha vitoriosa, uma vez que ele fora o comandante das tropas brasileiras na ocasião.

General Manuel Luís Osório

General Manuel Luís Osório

Caxias também lutou na guerra, embora em seus anos finais. Diferentemente de Osório, Caxias era visto como um estrategista que prezava pela disciplina e pela ordem. Durante a guerra, o militar já era visto como o “Pacificador”, pois sua atuação foi crucial para sufocar a revoltas provinciais durante a Regência e manter, assim, a unidade territorial do país.

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias

Ambos militares morreram em 1880, embora Osorio com muito mais popularidade que Caxias. No entanto, nos anos 20, isso mudaria. Durante a década de 1920, o Exército brasileiro esteve dividido entre aqueles que queriam manter a instituição afastada da política nacional e aqueles que viam a si mesmos como agentes de transformações vistas como necessárias para o país, tal como o voto secreto. Em diversas ocasiões naquela década, este último grupo pegou em armas contra o governo, tal como a Revolta do Forte de Copacabana, em 1922. Este movimento ficou conhecido como Tenentismo.

Revolta do Forte de Copacabana

Revolta do Forte de Copacabana

Neste contexto, a figura legalista, disciplinada e forte do Duque de Caxias parecia ser mais adequada para aquela instituição cindida internamente. Caxias se tornou o protótipo das virtudes militares: sua figura inspirava valores como honra, lealdade, disciplina, hierarquia e unidade. Assim, em 1923, o Ministro do Exército General Setembrino de Carvalho ordenou que anualmente Caxias fosse homenageado no dia de seu aniversário, 25 de agosto.

A oficialização da data veio em 1925, com a criação do Dia do Soldado. Naquele mesmo ano, Caxias foi escolhido como Patrono de uma turma de oficiais formada na Escola Militar do Realengo. Nos anos 30, já durante a Era Vargas, Caxias se consolidaria como o Patrono do Exército. O auge da sua consagração enquanto figura máxima do Exército brasileiro veio nos anos 40, quando seu nome foi dado ao prédio que abrigaria o Ministério da Guerra, no Rio de Janeiro, então Capital Federal. Em frente a aquele imenso edifício, foi construído um Pantheon para abrigar os seus restos mortais. “Rebaixado”, Osório acabou sendo reconhecido, também nos anos 40, como o Patrono da Cavalaria, mas nunca mais conseguiu reaver o seu posto perdido.

Palácio Duque de Caxias e Pantheon que abriga os restos mortais do militar

Palácio Duque de Caxias e Pantheon que abriga os restos mortais do militar

 

Referência: CASTRO, Celso. A Invenção do Exército Brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002.

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