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Da Etiópia ao Brasil: uma breve história do café

29/05/2020 Por Equipe de Conteúdos CEISC

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Iniciamos a nossa série “Dicas de história”, com o prof. Bruno Segatto, que vai trazer para você muitos textos de assuntos interessantes da disciplina de história. Agora é hora de ficar ligado nos conteúdos e aprender muito até o dia da prova do Enem. Dica: leia este post até o final o nosso texto de hoje, que traz um breve histórico do café da sua origem até o Brasil.

A origem do café 

A origem do café é permeada de mistérios. A história mais difundida é a de que um criador de cabras da Etiópia, chamado Kaldi, teria visto que o seu rebanho apresentava um comportamento mais agitado quando os animais consumiam um pequeno fruto vermelho. O criador teria colhido os frutos para o consumo dos frutos e para fazer chás. Com o tempo, descobriu-se o efeito estimulante da cafeína no organismo humano. A bebida passaria a ser consumida por religiosos que realizavam vigílias de rezas noturnas. 

Caminhos da semente de café

Da Etiópia, sementes teriam sido levadas ao Iêmen, na outra margem do mar Vermelho. No Iêmen surgiram grandes plantações de café com finalidade comercial: os produtores já haviam descoberto que os frutos deviam ser torrados, moídos e o pó misturado com água quente, a qual absorveria as notas achocolatadas concentradas no grão. Por sua localização estratégica na entrada do mar Vermelho, o Iêmen ingressou nas rotas das especiarias, as quais conectavam a península Arábica com o restante da Ásia (China, Índia e ilhas do Oceano Pacífico). 

Graças a estas rotas, geralmente controladas por muçulmanos, o café chegou até os portos de cidades do mar Mediterrâneo (Constantinopla) e do Oriente Médio (Bagdá, Damasco, Jerusalém e Meca). Nas cidades muçulmanas o café tornou-se popular com considerável facilidade. Constantinopla abrigou a primeira cafeteria do mundo, fundada em 1495. Cairo, Bagdá e Meca logo teriam as suas casas de café. O café teve boa recepção no mundo muçulmano, onde são frequentes as práticas de sociabilidade em que homens conversam sobre religião e negócios enquanto desfrutam de um café. 

No entanto, sua origem e composição misteriosa geraram questionamentos. Alguns questionavam se a bebida não possuía um caráter de estimulante sexual, algo condenado pelo Islamismo. Pressionado pelo clero muçulmano mais radical, um governante de Meca chegou a decretar a proibição da bebida e a destruição de seus estoques, mas foi impedido pelo sultão otomano Murad III, que não só anulou a medida como ainda tornou a bebida sagrada. Desta forma, o café se espalharia pelo mundo muçulmano, desde a Península Ibérica até as Filipinas, e despertaria a curiosidade da burguesia mercantil europeia, sobretudo a das cidades italianas, como Gênova e Veneza.

Foi por meio do porto de Veneza que o café desembarcou na Europa. Trazido dos domínios do Império Otomano, o café provocou um misto de admiração e curiosidade, mas também despertou a preocupação em certos grupos importantes, como os produtores de vinho da França. Assim como no mundo muçulmano, a bebida se disseminou rapidamente e provocou polêmicas. Setores mais conservadores do clero a acusavam de ser uma bebida de cunho misterioso e estimulante oriunda dos povos inimigos, os muçulmanos. Estas acusações teriam força para proibir a bebida estranha, porém o Papa Clemente VIII entrou em cena. O Sumo Pontífice experimentou, gostou e propôs o batismo da bebida. Assim, o café ganhava o mundo católico, que nesse contexto abrangia os continentes europeu e americano.

Cada povo que obtinha o segredo da produção do café procurava mantê-lo em sigilo, mas nenhum deles conseguiu esta façanha por muito tempo. Porém, o café é uma planta (rubiácea) que só se adapta a climas tropicais próximos da linha do Equador. Logo, os europeus só conseguiam plantar as sementes que obtinham (ou por roubos ou por obséquios diplomáticos), em jardins botânicos. Foi assim que os holandeses plantavam as suas sementes em Amsterdam. Porém, os holandeses tinham colônias na Ásia, que se tornaram grandes produtoras de café. Amsterdam se tornou o principal centro fornecedor do grão na Europa ocidental e Hamburgo tornou-se o principal centro de distribuição de café para os países do Leste europeu sem saída ao mar. Os franceses conseguiram algumas sementes e, além de plantar em seu jardim botânico parisiense, levavam mudas para as suas colônias na América, em especial a Guiana Francesa.

O café no Brasil

Apesar do segredo que os franceses procuravam impor sobre a Guiana a respeito do café, algumas sementes foram conseguidas por Francisco de Melo Palheta, um enviado do governo brasileiro a Caiena em missão diplomática. Alguns autores sugerem que sua missão foi, na verdade, conseguir mudas de café para plantar no Brasil. Aqui, foram plantadas mudas no litoral do Nordeste, mas o clima não permitiu que elas se desenvolvessem. Foi somente no início do século XIX, com a vinda da Família Real lusitana para o Rio de Janeiro e a abertura de novas oportunidades ao Brasil colonial que rompera com o pacto colonial, que a cafeicultura ganhou terreno no Sudeste.

O Sudeste sofria com a queda dos preços da cana de açúcar no mercado internacional bem como com a decadência da mineração na região das Minas Gerais. Para muitos colonos, o café surgiu como uma oportunidade a longo prazo. O café avançou pelo vale do rio Paraíba em direção ao interior do Rio de Janeiro e, em 1830, já se consolidava como o principal item de exportação do Brasil colônia. A partir dos anos 1850, em um período marcado por uma relativa modernização do Brasil graças aos capitais acumulados com o fim do tráfico negreiro, a cafeicultura avançou em direção a São Paulo. 

Em São Paulo o café avançou rapidamente e os seus lucros fomentaram uma série de transformações importantes: novas cidades foram fundadas, milhares de imigrantes europeus (sobretudo italianos) trazidos e quilômetros de linhas férreas construídas para escoar a produção até o porto de Santos. Os preços do café no mercado internacional subiam e o Brasil se transformou no maior produtor do grão, cujo maior consumidor eram os Estados Unidos. Uma vez que São Paulo se tornou o maior produtor, aquele estado passou a acumular grandes quantidades de capitais e a sua capital, São Paulo, passou a crescer mais do que qualquer outra do país. Com São Paulo na liderança, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de café.

Graças à riqueza do café, palácios enormes eram construídos na capital paulista e uma nova elite surgia. Esta nova elite cafeicultora possuía uma mentalidade mais capitalista e empresarial do que a do Rio de Janeiro, embora ambas criticassem a abolição da escravidão sem direito à indenização aos proprietários. Esta nova e poderosa elite tornou-se a classe dominante no Brasil a partir de 1889, quando o país passou a adotar o modelo republicano de governo. Os governos brasileiros, entre 1889 e 1930, eram muito pressionados pela elite cafeicultora. Isso quando ela própria não governava por meio de seus membros na política. Pelo fato de a elite cafeicultora controlar a política nacional naquele período, ele ficou conhecido como República Oligárquica.

Impactos da crise de 1929

Nas primeiras décadas do século XX eram frequentes as supersafras de café, o que acabava derrubando o preço do grão no mercado internacional. Para evitar estas quedas do valor do café, o governo brasileiro assinou com os governos dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo o Convênio de Taubaté (1906), que previa a compra de estoques de café como forma de reduzir a oferta do produto e controlar o preço. No entanto, com a crise de 1929 e a queda abrupta dos níveis de comércio global os estoques se avolumaram e o governo Vargas, que chegara ao poder por meio da Revolução de 1930, destruiu estoques de café por meio da queima.

A industrialização do café

Após a crise de 1929, o governo Vargas intensificou o processo de industrialização do Brasil ao consolidar a indústria de base. Boa parte dos capitais investidos em fábricas, desde a Primeira República, provinham dos recursos acumulados com as exportações de café. Iniciava-se, assim, um processo de diversificação da economia brasileira. Nos anos 1970 e 1980, outras atividades econômicas retiraram o protagonismo da cafeicultura na economia nacional. O Programa Proalcool incentivou o retorno do cultivo da cana de açúcar e o avanço para Oeste incrementou o cultivo da soja e a criação de animais.

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