Na ponta do lápis: palavras corretas em língua portuguesa e a nova ortografia

Por:

Luana Porto

Se você almeja uma vaga em concurso público, muito provavelmente vai ter de responder a várias questões de língua portuguesa, disciplinas comum nas provas de todos os níveis. E um dos tópicos recorrentes na prova é a ortografia, área dos estudos linguísticos voltada para a normatização da escrita das palavras e uso dos sinais gráficos. Isso quer dizer que nossa escrita não é livre e que há regras que determinam como escrever direito e grafar certo. Dessa forma, conhecer regras ortográficas contribui para ampliar a proficiência no uso da língua escrita.

Mas, antes de apresentar algumas dicas de ortografia, acompanhe alguns esclarecimentos fundamentais:

  1. A definição de normas linguísticas ortográficas obedece a questões históricas e etimológicas da língua assim como a convenções, determinadas em acordos ortográficos e tratados;

  2. No Brasil, o Acordo Ortográfico em vigor foi assinado em 1990,visando à padronização da ortografia da língua portuguesa em países que têm esse idioma como língua oficial: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste;

  3. Esses países formam a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e, logo que assinaram o tratado, cada um determinou prazos para que a reforma entrasse em vigor em seus territórios.

  4. No Brasil, em 2008 foi a data da entrada em vigor do Acordo no Brasil, mas efetivamente isso só ocorreu em 2012.

  5. Questões de concurso público anteriores a 2021 podem estar desatualizadas, então, sempre conferir data da prova e as regras ortográficas.

O Acordo Ortográfico e as principais mudanças

Veja as mudanças mais relevantes:

  • Nosso alfabeto agora possui três letras a mais: K, W e Y;

  • O trema foi extinto nas grafias das palavras em língua portuguesa, a exemplo de “linguiça”, “eloquente”, “tranquilo”; maspermanece em palavras estrangeiras e suas derivadas (como em “Käfer”, “Müller” e “mülleriano”);

  • Toda vez que uma palavra for grafada com EE ou OO, não se usa mais acento, como em “voo” e “leem”;

  • Ditongos abertos ÉI e ÓI não são mais acentuados se forem a sílaba tônica de uma palavra e se o vocábulo for paroxítono, como em “ideia”, “jiboia”, “heroico”, “geleia”, “colmeia”.

  • Os hiatos formados pelo “I” e “U” tônicos não recebem acentuação gráfica se forem precedidos de ditongo, como em “bocaiuva” e “feiura”.

  • Segundo o Acordo Ortográfico, o acento gráfico é facultativo nas seguintes palavras: fôrma (substantivo) / forma (substantivo/verbo)

  • Em relação ao emprego do hífen, quando a segunda palavra começar com “r” ou “s”, depois de prefixo terminado em vogal, retira-se o hífen e essas consoantes são duplicadas. Exemplos: antissocial, autorretrato, ultrassom;

  • O hífen é usado quando o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com a mesma vogal. Exemplos: micro-ondas, anti-inflamatório.

  • Não se usa hífen em palavra formada por prefixo terminado em vogal e segundo termo iniciado por vogal diferente. Exemplos: autoescola, infraestrutura

  • Não se usa mais o hífen:

  • Em determinadas palavras que perderam a noção de composição.

Exemplos: paraquedas, mandachuva, vaivém

  • Quando a unidade expressiva é uma locução.

Exemplos: dia a dia, à toa, café com leite, pé de atleta, pé de boi, pé de cabra, pé de chinelo, pé de galinha, pé de pato, pé de vento, pé de moleque, pé de ouvido. 

Exceção: pé-de-gato (VOLP) e pé-de-meia (VOLP)

Agora, uma dica: se você quiser ter certeza de como se escreve corretamente uma palavra em língua portuguesa, consulte o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Ele pode ser acessado gratuitamente na internet, no endereço abaixo e é possível também baixar o aplicativo desse vocabulário:

Como nosso idioma possui muitos verbetes e alguns deles podem gerar dúvida quanto à escrita correta, tente anotar e memorizar algumas grafias:

A gente (= nós)

Agente (= integrante de algum órgão, como da FBI)

A partir (separado e sem crase)

Anti-covid-19

Afim (= semelhante)

A fim (= com objetivo)

Bem-amado

Bem-me-quer

Bem-vindo

Bem-te-vi

Beneficente

Circuito (sem acento e sílaba tônica é CUI)

Com certeza

De repente

Dirigir

Exceção

Embaixo (sempre junto)

Em cima (sempre separado)

Erva-mate

Erva-cidreira

Exigir

Fluido (sem acento e sílaba tônica é FLUI)

Gesto 

Gratuito (sem acento e sílaba tônica é TUI)

Jeito

Item e itens (sempre sem acento)

Mal-humorado

Mexer

Micro-ondas

Paralisar 

Para-choque

Para-raio

Pôr de sol (sem hífen)

Por isso (sempre separado)

Porta-voz

Recorde (sem acento e com sílaba tônica em COR)

Reivindicar (só com um N)

Rio-grandense

Rio-grandense-do-norte

Rio-grandense-do-sul

Rubrica (sem acento e com sílaba tônica em BRI)

Subsídio (pronuncia-se CI e não ZI)

Tique-taque (com hífen)

Tiquetaquear (sem hífen)

Xingar

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