A banca de seu concurso é o IBADE? Saiba o perfil da prova de Língua Portuguesa e o que estudar mais

Por:

Luana Porto

IBADE é a sigla do Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo, sociedade civil de direito privado sem fins lucrativos, que realiza concursos públicos no Brasil, sobretudo provas de prefeituras e de carreiras policiais estaduais, mas também com atuação em certames na esfera federal. Muitos concursos sob a responsabilidade dessa banca foram realizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste do país.

Neste ano de 2022, a banca é a responsável pelo concurso do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, um concurso bastante esperado e com a expectativa de alta concorrência. Eis uma razão para conhecer um pouco mais sobre a banca e saber o seu perfil na prova de língua portuguesa.

O perfil da banca: questões de língua portuguesa

A banca apresenta questões de análise e interpretação de texto de nível fácil e médio e de exame linguístico, focando muito mais questões gramaticais do que de análise textual. Vaja a seguir apontamentos sobre a prova de língua portuguesa.

1. Tipos de textos cobrados nas provas: dissertativos, argumentativos e literários são predominantes.

Atenção para:

a) a leitura de poemas: a banca costuma apresentar textos em verso para questões de interpretação;  

b) a identificação do tipo textual predominante, aquele que se relaciona ao objetivo central do texto. Você precisa, nesse caso, saber apontar se o texto é marcadamente dissertativo, injuntivo, descritivo, narrativo etc.  

c) a identificação do gênero textual: é comum haver pergunta sobre a que gênero (artigo, resumo, crônica etc) o texto pertence, ou seja, é preciso saber identificar traços do texto para identificar o seu gênero.

2. Extensão dos textos: varia de acordo com o tipo textual. Se poemas, normalmente são cursos. Se dissertativos ou argumentativos, longos. O ideal é treinar bem a leitura para não se cansar…

3. Questões de análise textual: focam basicamente o “conteúdo” do texto em suas partes, se texto em verso, o que trata cada estrofe; se texto em prosa, o que trata cada parágrafo.

4. Abordagem sobre linguagem do texto: a banca formula de forma reiterada perguntas sobre linguagem conotativa e denotativa, língua culta e coloquial, nível formal e informal. E ainda pode tratar de metalinguagem.


Fique atento:

a) Conotação é o mesmo que linguagem figurada ou contextual; Denotação é a linguagem real, literal, própria. A banca pode usar qualquer um desses termos. Veja um exemplo: A crise econômica atingiu o seu ápice neste ano e, para desenvolver a economia, é preciso encontrar a raiz do problema. (raiz – termo conotativo) A raiz da árvore apodreceu, e a planta será retirada do pátio. (raiz – termo denotativo);

b) Metalinguagem é uma forma de usar a língua ou o código linguístico para definir termos da língua, para conceituar expressões, é a “língua falando dela mesma”. É o que se verifica, por exemplo, nos verbetes de dicionários. Mas também pode haver metalinguagem em um poema. Veja:

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento…de desencanto
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.  

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa…remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.  

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca. Eu faço versos como quem morre.

(Manuel Bandeira)

5. Questões de análise linguística: são normalmente desassociadas do texto, o que indica uma tendência de análise gramatical descontextualizada e análise do que apresenta ERRO em relação à norma linguística. Nesse sentido, é fundamental saber bem:

a) regência;

b) pontuação;

c) concordância;

d) classificação de orações;

e) identificação de funções sintáticas;

f) emprego de verbos;

g) tipos de formação de palavras;

h) figuras de linguagem.

Esses são conteúdos recorrentes das provas do IBADE.

Dicas:

a) Estude os conteúdos gramaticais listados;  

b) Resolva questões de concursos anteriores da banca;  

c) Revise sempre os temas nos quais tiver mais dificuldade.

Resolução de questões da banca: um exercício

IBADE – 2021 – IAPEN – AC – Advogado

A CANETA TINTEIRO

Íamos pra escola carregando na mala o mata-borrão.

Mata o quê?

Mata-borrão. Era um pedaço de papel bem poroso que a gente usava pra limpar a tinta que vazava da caneta tinteiro.

Caneta que vazava? Como assim?

É, vazava, soltava tinta. A gente tinha que carregar também, além da caneta, um potinho de vidro cheio de tinta preta ou azul, para encher a carga da caneta. Era uma trabalheira danada!

E mesmo com todo cuidado a caneta vazava, estragava o estojo de couro, comprado a duras penas, sujava a blusa, deixava aquela mancha envergonhada no branco imaculado da blusa do uniforme.

Estojo de couro, uniforme! Puxa, vó, que irado! Mas por que você não comprava uma BIC? Ia simplificar sua vida.

Ia, se ela existisse, como tudo mais que existe hoje e a gente nem sequer imaginava!

Fonte: http://viveragora.com.br/cronicas-rapidas/

Questão 1

Tipo textual é um conceito que se refere às estruturas linguísticas dos textos. O texto “A CANETA TINTEIRO” é predominantemente:

(A) narrativo.

(B) descritivo.

(C) injuntivo.

(D) expositivo.

(E) argumentativo.

O texto é um diálogo, não marcado com a pontuação indicada pela gramática, entre avó e neto, dois personagens do texto. Ela conta a história do uso da caneta inteiro quando ela frequentava a escola. Há indicação de mudança de uso de tipo de caneta ao longo do tempo, indicando progressão temporal, algo próprio do texto narrativo. Por essas razões, predomina no texto o tipo textual narrativo.

Questão 2

Qual a função sintática do pronome relativo em destaque no fragmento “Era um pedaço de papel bem poroso que a gente usava pra limpar a tinta QUE vazava da caneta tinteiro”?

(A) Complemento Nominal

(B) Predicativo do Sujeito

(C) Complemento Verbal

(D) Sujeito

(E) Adjunto Adnominal

O período exige análise sintática e observação à função da palavra QUE em destaque. Para isso, é preciso desmembrar as orações interligadas pelo QUE:

a) a gente usava pra limpar a tinta a tinta vazava da caneta tinteiro (nesta oração, “A tinta” é o sujeito do verbo “vazava”, e o QUE substitui “A tinta”, exercendo a mesma função sintática desse termo. Logo, o QUE é sujeito também.

Questão 3

Metonímia é a figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, havendo sempre uma relação entre os dois.

Qual alternativa em que essa figura ocorre?

(A) Mas por que você não comprava uma BIC?

(B) Era uma trabalheira danada!

(C) Era um pedaço de papel bem poroso…

(D) É, vazava, soltava tinta.

(E) Ia, se ela existisse, como tudo mais que existe hoje …

BIC é uma marca de caneta muito usada no Brasil. De tão usada, passa a referenciar o próprio objeto, tal como se vê com OMO (sabão em pó), Havaianas (chinelos), imortais do Olimpo (deuses do Olimpo).

Questão 4

O autor da crônica usou, em sua maioria, verbos que pertencem ao pretérito imperfeito do indicativo, porque esse tempo verbal lhe permitiu apresentar fatos:

(A) Passados que eram vistos como duvidosos e hipotéticos.

(B) Passados que se repetiam e eram habituais para as personagens.

(C) Que costumam acontecer em qualquer época e a qualquer tempo.

(D) Relacionados a um futuro incerto e imprevisível para as personagens.

(E) Que exprimem ordem, pedido, convite, conselho ou súplica.

Pretérito imperfeito do indicativo indica habituais no passado, e, no contexto, apontam ações que a vó fazia de forma repetida.

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